A Traição das Imagens. René Magritte, 1928-29.
Como já discutiram muitos críticos literários, inclusive o brasileiríssimo Marcos Bagno (em sua obra Preconceito lingüístico: o que é, como se faz), e como a própria frase em francês na imagem já diz (Ceci n'est pás une pipe), isto não é um cachimbo, mas sim a representação deste objeto. Enquanto o contemporâneo Gilberto Gil se "despersonifica", transformando-se em frase de discurso e cai no samba com os bacharelandos e o reitor -ao menos no seu universo imaginário- Magritte mostra uma das contradições mais lógicas da arte. E como Aristóteles afirmava que a arte é a representação mimética daquilo que é produzido pelo pensamento inventivo, as gasosas noções de real e subjetivo se mesclam, turvando qualquer ideal cristalino.