Eu sou uma figura de retórica Figura de Retórica. Gilberto Gil, 1971. Ainda cerceando pela subliminaridade das figuras de linguagem, sigo com este poema no qual Gil pratica uma prosopoéia às avessas, transformando a si mesmo em palavra, em frase, em símbolo. O autor brinca de ser texto e imagem e isso o torna facilmente mutável. Cada transformação permite que ele esteja presente em diversos ambientes e situações daquilo que seria uma colação de grau bem irreverente, já que como muito da vida do autor, essa história também termina em carnaval.
Eu sou a frase de um discurso de paraninfia
Da turma de bacharelandos
Da universidade da Bahia
A popular figura metafórica
Eu sou a beca preta que o doutor vestia
Na tarde daquele memorável samba
No salão nobre da reitoria
Beca preta, doutor de anedotas, normalista linda
Nossa fantasia não tem igual
Aos fantasmas de hamilton, coemo, rubinho e mutinha
Nossas simpatias neste carnaval